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“No país ainda temos a cultura do ‘arrumar um emprego’. Felizmente essa cultura vem mudando” – Gustavo Caetano, Samba Tech

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Estamos nos aproximando do evento e a expectativa tem aumentado. Para dar uma palinha do que esperar nas palestras, entrevistamos Gustavo Caetano, Fundador & CEO da Samba Tech, maior plataforma de vídeos online da América Latina.

1.     Você estudou Marketing na ESPM, Inovação na MIT e gerência de produtos no Sillicon Valley. Qual a importância da formação acadêmica na realização de projetos para Internet e Inovação?
Os cursos que fiz no exterior foram fundamentais. Ter tido a oportunidade de estar num dos principais pólos de tecnologia do mundo foi algo que me fez abrir a cabeça. Lá fora eles têm uma visão diferente de ensino. Eles te dão suporte com teorias, mas em muitos casos te moldam para que se torne um empreendedor. Aqui no país ainda temos a cultura do “arrumar um emprego”, nossos pais fizeram isso e os pais deles também. Felizmente essa cultura vem mudando e agora, mais do que nunca, vejo como foi importante ter trazido esses ensinamentos para serem aplicados ao dia a dia da Samba.

2.     A Samba Tech foi criada em 2004 como uma distribuidora de games para celular, e atualmente é a maior plataforma de vídeos online da América Latina. Você pode falar sobre essa trajetória e os fatores que contribuíram para o sucesso da empresa?
A Samba tentou 3 vezes até se consolidar no mercado. Além de termos começado como uma distribuidora de games para celular, atuamos também na venda de jogos de PC pela internet. Nenhum dos modelos de negócio deu certo, mas a tecnologia sim! Usamos essa base que havíamos desenvolvido e aplicamos no mercado de vídeos.

Existe uma lei do exército canadense que fala “entre o mapa e o terreno, fique com o terreno”, ou seja, se você está num lugar onde não passa um rio e no seu mapa do tesouro está mostrando que passa, acredite no que você vê. Trazendo isso para o mundo dos negócios: aposte no que o mercado está te mostrando e não foque 100% no seu primeiro plano de negócios. Apostamos cedo que na comunicação por vídeos online porque o mercado estava nos mostrando que essa seria a tendência. Hoje somos a Plataforma de Vídeos Online líder na América Latina.

Mas tudo o que a gente construiu não seria possível sem o time de talentos que fazem parte da família Samba. Os funcionários aqui “compraram” o sonho que eu tive e certamente são um dos principais diferenciais no mercado. Montei pequenas startups aqui dentro da Samba e adotei a tática do “Power to the Edges”, ou seja, cada um aqui tem suas responsabilidades bem definidas e tem autonomia para tomar suas decisões. Isso contribui para que as oportunidades não sejam perdidas e estimula a inovação.

3.     A Samba Tech iniciou no Brasil e consolidou-se em toda a América Latina. Como foi sua expansão, e quais são os principais mercados para vídeos online dentro da região?
Estamos no início do nosso processo de expansão. Abrimos escritório da Argentina para atuar forte em toda a América Latina. Sempre pensei em criar uma empresa global, que tivesse como escalar, seja em tecnologia, seja em mercado – e aí estar na internet facilitou muito isso.

A América Latina é o mercado que mais cresce em número de usuários de internet no mundo. E como os vídeos online serão responsáveis por 90% do tráfego da internet em 2013, segundo a Cisco, estamos enxergando esse mercado como uma excelente alternativa.

4.     Qual é a sua opinião sobre o que estão dizendo do Brasil ser a “bola da vez” para investir?
Excepcional! Estamos vendo o nascimento de startups que já nasceram globais e com excelentes modelos de negócio, fazendo do país um pólo de empreendedorismo e foco de Venture Capitals de várias partes do mundo. A “cultura do investimento” está mudando aqui e isso vale tanto para startups quando Investidores. As empresas estão perdendo o medo de buscar aceleradoras e Venture Capitals, e nunca antes vimos tantas empresas de VC querendo investir nas nossas startups. Isso mostra que o além do mercado estar aquecido, que estamos construindo soluções inovadoras a nível mundial.

5.     Você foi nomeado Empreendedor do Ano pela revista PEGN em 2009, e atualmente está concorrendo ao prêmio Empreendedor do Ano pela revista INFO. Quais características pessoais você atribui a esse reconhecimento?
Comecei como estagiário de uma grande empresa, mas lá estava incomodado com a lentidão e burocracia dos processos. Sempre sonhei em trabalhar num lugar que eu pudesse expor minhas ideias e me divertir. Minha história de empreendedorismo começou com uma pitada de sorte, mas sempre corri atrás de “fazer acontecer”. Uma tática que sempre usamos aqui na Samba é o “Fail Fast”. Muitos executivos têm medo de algo dar errado e adiam muito o lançamento de um produto. O pensamento da inovação vai justamente de encontro a isso. É impossível entregar uma “Mona Lisa” pronta para seu cliente, por isso o quanto antes você usá-lo como fonte de pesquisa e “falhar” melhor. Você só saberá se aquilo que está produzindo vai vingar se pessoas reais estiverem usando, e se fizer isso no começo do desenvolvimento poderá matar – aprendendo com o erro – e descontinuar o que não está certo logo de cara.

Além disso, acho que ser flexível é essencial. Se tivéssemos focado no nosso primeiro plano de negócios estaríamos vendendo joguinhos de celular até hoje – ou não! Adaptar ao mercado é essencial, ainda mais num mercado tão dinâmico quanto o de tecnologia… o Rework, livro da 37signals e best seller da New York Times, fala que “planning is guessing” – planejar é tentar prever o futuro. Não perder tempo demais pensando no que fazer e não tomar o primeiro plano de negócios como Alcorão são coisas que aprendi e adotei no contexto da Samba.

6.     Qual o seu conselho para empreendedores novos que estão tentando se estabelecer no mercado?
(a) Foco: Foque num grande mercado ou num nicho promissor. Se especialize em algo que ninguém faz e que preferencialmente um “grande” não tem interesse momentâneo. Com isso você vai surgir como líder e pode tirar proveito disso. No entanto é importante desenhar uma linha na areia e reconhecer o limites: quem faz tudo não faz nada.
(b) Ser flexível: explicação na pergunta acima. ;)